A tomada de decisão exige determinação, e para chegar a isso com consciência há um percurso que envolve emoção e reflexão. Há momentos na vida, em que dar-se conta de que é preciso assumir aquilo em que se acredita, gera uma mudança.
Falando de trabalho, por vezes, só se percebe um incômodo e a pessoa deixa de lado, naturalizando o que sente, como se fosse a inescapável pressão no trabalho e coisas assim. É difícil separar cansaço e insatisfação com a dinâmica de trabalho da necessidade interior de mudança de carreira ou de mudança de emprego. Afinal, o mundo do trabalho tem características pouco conciliadoras com o equilíbrio do cotidiano.
Pode ser uma faísca, ou seja, um lance de percepção, um tanto vago. Apresentam-se sensações de mal-estar, alterações do sono, falta de vontade etc. Não é o que se sente e como isso se manifesta no corpo que definem se o estresse caminha para o desenvolvimento de síndrome de burnout ou necessidade de mudança de rumo profissional. Haverá desgaste de energia e é difícil discernir para a tomada de decisão.
No entanto, ao dar-se conta de que precisa fazer alterações em sua relação com o trabalho, seja o local de seu exercício ou até a profissão, é quase inevitável a alteração no desempenho, pois sei que quero fazer uma mudança, fica difícil manter a produtividade anterior.
As mudanças precisam planejamento. Por exemplo, em uma situação de trabalho em que a pessoa se dá conta, mesmo que parcialmente, de que aquilo não é mais o que quer para si e ainda não conseguiu respaldo para a mudança, apresenta-se um mal-estar. A vontade de mudar e a preparação para isso acontece antes de a pessoa estar pronta para o salto. Ainda não é a hora. A consciência de que não quero mais alguma coisa pode abrir uma fenda, que começa a se abrir e é possível que a ansiedade ganhe espaço. Quero estar no depois e ainda estou no antes da mudança.
Um trabalho e uma profissão podem se configurar em nossa caixinha de verdades sobre a vida, como algo que será como é para sempre. Mas a vida é dinâmica e os interesses mudam, muitas vezes, pela experiência e até por uma nova formação profissional. Seja um curso técnico ou superior, pode implicar em uma vontade crescente de exercer a profissão ou a futura profissão quando se formar. Se esse sentimento toma conta no campo da vontade, pode levar consigo a queda de rendimento no trabalho atual. Afinal, não somos máquinas!
O sofrimento se expressa em desinteresse, ansiedade, sentimentos de depressão, sinais físicos variados, formas de expressão de que não quero mais e ainda não alcancei o que almejo. A clareza mental não é uma virada de chave, a gente entende e não entende, tenta não querer o que quer, porque não pode largar o trabalho, simplesmente. A tomada de decisão consciente precisa que a pessoa se prepare emocional e financeiramente para dar um salto. Isto não quer dizer que não haverá crise, talvez até diminuição da renda, mas não existe mudança sem crise.
A clareza por meio da conscientização do processo pode ser doída, mas é um caminho para traçar uma estratégia mental e tentar chegar aonde se pretende. A negação dos motivos é um vasto campo para o adoecimento mental. O sofrimento vem sem endereço, sofro e desenvolvo sintomas como se fossem além de mim, sem minha consciência.
A psicoterapia, a terapia pela palavra, é uma possibilidade para o acompanhamento de processos de mudança, contribui para o percurso de reflexão e tomada de decisão.
